domingo, 27 de janeiro de 2008

minguante n.º 0

escreve-se à volta de

1. Ia zangado e deu um pontapé numa pedra. Partiu o pé. Teve de ser operado. Durante várias semanas teve de andar de canadianas. Nunca mais se lembrou por que ia zangado naquele dia, tão zangado ficou com tudo o que aconteceu depois.

2. Ia zangado e deu um pontapé numa pedra, depois noutra e noutra ainda. E quando não encontrou mais pedras começou ao pontapé às pessoas. Foi nesse momento que o prenderam. Em sua defesa alegou que não desejara agredir quem quer que fosse, mas descarregar apenas a sua fúria. O juiz aceitou as suas explicações e suspendeu-lhe a pena com a obrigação de prestar serviços de demolição. Ele gostou tanto que fez disso profissão.

3. Ia zangado e deu um pontapé numa pedra, mas a pedra desviou-se no último momento e ele estatelou-se no chão. É que ele há pedras que têm sentimentos e não gostam de apanhar com os pés.

4. Ia zangado e deu um pontapé numa pedra, e com tal força o fez que a pedra levantou voo, bateu num poste de iluminação à sua frente e voltou para trás acertando-lhe em cheio no meio da testa. E não direi que teve morte imediata, o que me apetecia, mas sim que nunca mais deu um pontapé numa pedra, o que não é tão bom fim mas talvez encerre uma melhor moral.

Luís Ene

Um comentário:

Anônimo disse...

Gosto do nº3.